B4 movimenta R$ 1,11 bilhões em ativos sustentáveis e amplia sua trajetória rumo à meta de R$ 12 bilhões até 2030

Por Time da B4 em

O mercado está se movimentando. O capital ainda precisa chegar a quem efetivamente protege os territórios.

A maturidade do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) representa uma mudança estrutural para o mercado brasileiro. Mas a regulamentação, por si só, não resolve o principal desafio: transformar compromissos climáticos em liquidez, investimentos e recursos destinados a quem efetivamente protege os territórios.

Existe uma desconexão entre a exportação de créditos de carbono, o desenvolvimento do mercado nacional e a geração de valor para os ativos ambientais brasileiros. A negociação internacional pode ampliar o acesso ao capital, mas seu impacto precisa ser avaliado também pela capacidade de financiar a conservação, a recuperação e o desenvolvimento sustentável dos territórios.

A exportação de ativos ambientais precisa estar conectada a uma finalidade econômica clara. Sua utilização como garantia, lastro para investimentos e instrumento de captação de recursos pode contribuir para financiar projetos e ampliar o acesso ao capital. Mas o ponto central é compreender como essas operações se convertem em investimentos efetivos na conservação e no desenvolvimento dos territórios de origem.

Sem essa conexão, o ativo circula, o investimento rende e o valor é negociado. Mas o recurso nem sempre chega à sua origem.

Ao mesmo tempo, existe uma preocupação crescente das empresas com a comunicação pública de suas emissões de carbono. Para companhias listadas em bolsa, reconhecer e divulgar essas emissões pode produzir impactos reputacionais e financeiros, tornando a comunicação climática uma questão estratégica.

A implementação do SBCE amplia a necessidade de estruturar mecanismos de monitoramento, relato e verificação das emissões, além de estabelecer e deixar claro as obrigações de forma progressiva para os atores abrangidos na evolução deste sistema.

Nesse cenário, empresas de grande porte precisam conciliar transparência, consistência metodológica e estratégias de transição climática. A resposta não está em ocultar emissões, mas em criar condições para que sua mensuração resulte em planos concretos de redução, incentivos, investimentos verificáveis e demanda efetiva por ativos ambientais de qualidade.

O desafio é fazer com que a evolução regulatória e a movimentação financeira se traduzam em um mercado capaz de financiar a mitigação das emissões, viabilizar a compensação e direcionar recursos para quem mantém os territórios protegidos.

B4, Bolsa de Ação climática em números

A B4 acompanha esse movimento por meio de uma estrutura que conecta projetos ambientais, ativos sustentáveis, desenvolvimento de projetos e negociação.

Os indicadores da plataforma demonstram a dimensão da carteira de projetos e das operações em diferentes estágios de estruturação e listagem na Bolsa de Ação Climática.

  • 1.388 projetos — aplicados para Listagem na B4.
  • 205 projetos — estão em fase de desenvolvimento.
  • 37 projetos — estão em processo para listagem.
  • 11 projetos — listados na B4.
  • 2 projetos — em categorias especiais.
  • +299 milhões de tCO₂ — volume de emissões em análise.
  • 12,78 milhões de tCO₂ — volume de créditos de carbono listados.
  • 8.504.971,4676 tCO₂eq — volume de negociação de créditos de carbono.
  • 713 participantes — na fase e compensação.
  • 17 mil — participantes.

Os números representam diferentes dimensões do mercado: originação, desenvolvimento, estruturação, listagem e negociação. Cada etapa exige instrumentos próprios para viabilizar os projetos e ampliar sua capacidade de atrair investimentos.

O mercado global de carbono: escala, regulação e oportunidades

A evolução do mercado brasileiro ocorre em paralelo à consolidação de sistemas internacionais de comércio de emissões. A experiência de outros mercados demonstra a importância da regulação, da formação de preços e da existência de mecanismos capazes de conectar obrigações climáticas à demanda por ativos ambientais.

Brasil: a estruturação de um novo mercado

O Brasil atravessa uma transição estrutural com a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. A regulamentação cria as bases para o desenvolvimento de um mercado regulado, com obrigações de monitoramento e reporte e a perspectiva de uma demanda progressivamente estruturada.

Ao mesmo tempo, a originação de projetos e as parcerias internacionais ampliam as possibilidades de financiamento climático.

Entre as oportunidades estão os mecanismos de cooperação internacional previstos no Acordo de Paris, incluindo a transferência internacional de resultados de mitigação, quando aplicável e autorizada nos termos pertinentes.

O potencial brasileiro também se estende ao agronegócio, à conservação florestal e a outras atividades capazes de gerar resultados climáticos mensuráveis.

Estimativas de mercado apontam para oportunidades relevantes de geração de créditos e movimentação financeira nas próximas décadas. Esses números, entretanto, dependem das metodologias adotadas, das condições regulatórias, da integridade dos projetos e da efetiva demanda pelos ativos.

O desafio brasileiro não se limita à geração de créditos. Está em construir uma infraestrutura que permita financiar projetos, ampliar a confiança dos investidores e transformar o potencial ambiental em atividade econômica sustentável.

Fontes:

Forbes ESG – Acordo Brasil e China
https://forbes.com.br/forbes-esg/2026/09/brasil-mira-acordo-com-a-china-para-vender-creditos-de-carbono-ate-a-cop31/

Eixos – Coalizão de Mercados
https://eixos.com.br/newsletters/dialogos-da-transicao/brasil-quer-atrair-paises-emergentes-para-coalizao-de-mercados-de-carbono/

China: escala de negociação e mercado regulado

A China consolidou um dos maiores mercados regulados de carbono do mundo. Em 2025, o sistema nacional negociou 235 milhões de toneladas de permissões de emissão, movimentando 14,63 bilhões de yuans. (⁠Conselho de Estado da China)

Em agosto de 2026, o volume acumulado de negociações desde a criação do mercado, em 2021, alcançou 961 milhões de toneladas, com movimentação financeira acumulada de aproximadamente 65,7 bilhões de yuans. (⁠Cri News)

A escala evidencia a capacidade de um mercado regulado de mobilizar volumes expressivos de permissões de emissão. É importante, porém, distinguir esses instrumentos dos créditos de carbono gerados por projetos ambientais, pois possuem características e finalidades diferentes.

A experiência chinesa demonstra a relevância da escala de negociação, da infraestrutura de mercado e da previsibilidade regulatória para ampliar a participação dos agentes econômicos e estruturar o comércio de emissões.

Fonte:

Revista Fórum – Volume Chinês
https://revistaforum.com.br/global/china-em-foco/china-mercado-carbono

Brasil 247 – Acumulado 2026
https://www.brasil247.com/xinhua/multimidia-mercado-nacional-de-emissoes-de-carbono-da-china-registra-volume-de-negociacao-superior-a-930-milhoes-de-toneladas

Europa: precificação e obrigações de conformidade

O Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) é uma das principais referências globais de mercado regulado de carbono.

Em 2025, o mercado movimentou € 777 bilhões em negociações, enquanto os leilões de permissões de emissão arrecadaram mais de € 43 bilhões. Em 2026, o preço médio das permissões chegou a € 78,93 por tonelada de CO₂ entre abril e setembro.

Os números demonstram como a regulação e a precificação das emissões podem estruturar mercados de grande escala e gerar recursos para financiar a transição climática.

Fontes:

ClimateTrade – EU ETS 2026
https://www.climatetrade.com/en/eu-council-october-2026-eu-ets-carbon-costs

Trading Economics – Carbon
https://tradingeconomics.com/commodity/carbon

A projeção para 2030: R$ 12 bilhões em movimentação

A B4 vem projetando a expansão do mercado de ativos sustentáveis e estabelecendo uma referência de R$ 12 bilhões em movimentação até 2030.

Neste ano, a movimentação reportada pela B4 já alcançou R$ 1,11 bilhões.

Esse resultado corresponde a aproximadamente 9,25% da referência de R$ 12 bilhões.

A comparação dimensiona o volume movimentado em relação à meta estabelecida, mas não significa que esse montante represente recursos líquidos ou efetivamente direcionados aos projetos ambientais. Mais do que um indicador financeiro, esse resultado evidencia o potencial de conectar a movimentação do mercado à captação de recursos, à estruturação de ativos sustentáveis, ao desenvolvimento de projetos e à proteção dos territórios.

Fontes:

Estadão
https://www.estadao.com.br/economia/governanca/brasil-lanca-bolsa-credito-carbono-mundo/

TIMES BRASIL
https://timesbrasil.com.br/investimentos/exclusivo-bolsa-de-acao-climatica-supera-r-12-bi-em-ativos-e-mira-credito-de-carbono-azul/

Exame
https://exame.com/esg/b4-bolsa-de-acao-climatica-projeta-movimentar-r-11-bi-em-creditos-de-carbono/

O próximo estágio depende da capacidade de transformar essa movimentação em liquidez, ampliar a participação dos agentes econômicos e desenvolver mecanismos que aproximem a demanda por ativos sustentáveis dos projetos que precisam de recursos.

A expansão do mercado também está relacionada à evolução do ambiente regulatório brasileiro.

As discussões sobre os setores que estarão sujeitos ao SBCE, os limites de emissão e as obrigações de monitoramento, relato e verificação são fundamentais para dimensionar a futura demanda por instrumentos de conformidade.

A definição dos setores abrangidos e de suas respectivas obrigações é uma etapa importante para a previsibilidade do mercado. Entretanto, a existência de metas regulatórias não significa que toda a demanda potencial se converterá imediatamente em compras ou compensações no mercado brasileiro.

Entre a definição das regras e a liquidação das operações existem etapas de implementação, adequação empresarial, mensuração das emissões e estruturação da oferta de ativos sustentáveis.

É nesse intervalo que a infraestrutura de mercado, o financiamento dos projetos e a capacidade de negociação assumem papel estratégico.

O desafio da liquidez climática

A existência de ativos ambientais não significa, necessariamente, a existência de um mercado líquido.

Entre a identificação de um território, o desenvolvimento de um projeto, sua validação, a listagem de ativos e a negociação existe uma cadeia de custos, riscos e exigências técnicas.

Um projeto pode apresentar elevado potencial ambiental e, ainda assim, precisar de investimentos significativos antes de gerar ativos de alta qualidade. Da mesma forma, um crédito de carbono performado e certificado não possui garantia de negociação imediata.

O mercado precisa superar essa distância.

Parte relevante do desafio está em estruturar instrumentos capazes de financiar o desenvolvimento dos projetos antes que eles alcancem a maturidade necessária para gerar receitas recorrentes.

Isso envolve investimentos em desenvolvimento, aquisição de terras, estruturação de projetos, monitoramento, validação, certificação e mecanismos de negociação.

Também exige aproximar os investidores das oportunidades de financiamento, com informações confiáveis sobre os projetos, seus riscos, seus resultados ambientais e suas perspectivas econômicas.

O capital precisa chegar antes. E a liquidez precisa chegar a quem efetivamente protege os territórios.

Da negociação à transformação territorial

O mercado de ativos sustentáveis precisa ser avaliado para além do volume negociado.

É necessário compreender quanto capital está sendo direcionado para:

  • Desenvolvimento e estruturação de projetos ambientais.
  • Aquisição e proteção de terras.
  • Conservação de florestas e biodiversidade.
  • Mitigação e compensação de emissões.
  • Monitoramento, auditoria e integridade dos ativos.
  • Remuneração de comunidades e agentes responsáveis pela conservação dos territórios.

Essas dimensões permitem distinguir o capital que circula no mercado daquele que efetivamente financia a transformação ambiental.

A movimentação financeira é um indicador relevante, mas não responde sozinha a uma questão fundamental: quanto desse capital chega aos projetos e aos agentes responsáveis pela proteção dos territórios?

A resposta depende da estrutura das operações, dos instrumentos financeiros utilizados e dos mecanismos de distribuição dos recursos.

Negociar um ativo ambiental é parte do processo. Financiar a proteção do território é o que conecta o mercado ao seu propósito.

O próximo estágio do mercado

O Brasil reúne ativos ambientais, capacidade técnica e oportunidades de desenvolvimento em escala. O desafio está em construir uma infraestrutura que conecte esses recursos à demanda por soluções climáticas.

A B4 atua nessa conexão, estruturando ativos sustentáveis, ampliando a transparência das informações e criando mecanismos para aproximar projetos, investidores e participantes do mercado.

A evolução desse ecossistema depende da integração entre desenvolvimento de projetos, integridade ambiental, infraestrutura de negociação e acesso ao capital.

O próximo estágio não será definido apenas pela quantidade de ativos listados ou pelo volume financeiro negociado.

Será definido pela capacidade de transformar esses indicadores em investimentos, liquidez e recursos destinados a quem mantém os territórios protegidos.

O mercado climático só cumpre seu papel quando o valor do ativo se transforma em valor para o território.

Conheça a infraestrutura da B4, Bolsa de Ação Climática

B4 — Bolsa de Ação Climática
https://bolsa.b4.capital

Índice de Ativos Sustentáveis
https://indices.b4.capital/

Índice IBAS B4
https://ibas.b4.capital/

Boletim de Ativos Sustentáveis B4
https://b4.capital/pt/category/boletim/

Agente do Clima
https://agentedoclima.com

Portal B4 de Imprensa
https://portalb4.com

Relógio de Ação Climática
https://b4.capital/pt/relogio-de-acao-climatica/

Aplicação para Projetos Sustentáveis
https://b4.capital/pt/listagens-b4/

Blog da B4
https://b4.capital/pt/blog/

Como abrir sua conta na B4
https://b4.capital/pt/como-abrir-sua-conta-na-b4-a-primeira-bolsa-de-acao-climatica/

Como listar projetos na B4
https://b4.capital/pt/como-listar-projetos-na-b4-a-primeira-bolsa-de-acao-climatica/

Como funcionam os projetos na B4
https://b4.capital/pt/como-funcionam-os-projetos-na-b4-a-bolsa-de-acao-climatica/


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