USP e Greenline firmam parceria para registro digital de créditos de carbono

Por Hellen Mendes em

Iniciativa utiliza inteligência geoespacial e dados de satélite para elevar a transparência, rastreabilidade e integridade dos projetos nos mercados voluntário e regulado do país.

Por Hellen Mendes

A RCGI-USP Carbon Registry firmou uma parceria estratégica com a Greenline Carbonsat, greentech brasileira especializada em monitoramento, mensuração, reporte e verificação digital (dMRV) de projetos de carbono. A cooperação entre a Universidade de São Paulo (USP) — por meio do seu Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) — e a empresa, que aconteceu na última sexta-feira (18), na sede do RCGI-USP, sinaliza um avanço significativo no fortalecimento do mercado de carbono no Brasil.

A aliança permitirá o uso avançado de sensoriamento remoto por satélite e inteligência geoespacial para capturar dados mais amplos e precisos. O objetivo principal é elevar a confiabilidade dos ativos ambientais registrados e combater práticas de greenwashing (falsas alegações de sustentabilidade). Além disso, Empresas brasileiras ganham uma opção nacional para registrar créditos sem depender de plataformas estrangeiras caras

Criada em 2025, a RCGI-USP Carbon Registry é a primeira registradora de créditos de carbono do país. A entidade atua para assegurar a integridade, a rastreabilidade e a credibilidade dos créditos emitidos nacionalmente, utilizando metodologias científicas alinhadas aos padrões internacionais e adaptadas às especificidades dos biomas brasileiros.

Com o acordo, desenvolvedores de projetos e auditores independentes poderão contratar a tecnologia da Greenline para obter relatórios geoespaciais técnicos, cujos dados serão validados pela registradora da USP durante a análise de emissão. Atualmente, a Greenline já monitora cerca de 1,5 milhão de hectares de florestas preservadas em mais de 100 projetos pelo mundo.

Como funciona o processo de registro

A integração da tecnologia dMRV busca ampliar a robustez das evidências que fundamentam os projetos, garantindo também o controle contra a dupla contagem de créditos. O fluxo de registro funciona em quatro etapas principais:

Submissão do projeto: O desenvolvedor apresenta as evidências técnicas que comprovam a redução ou a remoção de emissões de gases de efeito estufa.

Verificação independente: Os dados apresentados passam pela validação de uma auditoria de terceira parte e pela análise técnica da registradora.

Emissão dos créditos: Caso todos os critérios rigorosos sejam atendidos, a registradora emite formalmente os ativos e faz o acompanhamento do seu ciclo de vida.

Suporte tecnológico opcional: A inclusão das ferramentas de inteligência geoespacial da Greenline atua como uma camada complementar de checagem de dados, de aderência voluntária pelos desenvolvedores.

Tecnologia a serviço da credibilidade ambiental

Para Lucio Lopez, fundador e CEO da Greenline, a cooperação responde à demanda urgente por transparência nas métricas climáticas.

“Essa cooperação está alinhada à missão de contribuir para um novo padrão de integridade no mercado, com dados rastreáveis, resultados auditáveis e mecanismos destinados a reduzir riscos de inconsistência e greenwashing“, destaca o executivo.

Os dados coletados por satélites são organizados de maneira encadeada e auditável, permitindo que checagens remotas e análises de campo sejam validadas rigorosamente pelas equipes de auditoria.

Metas de expansão até 2027

Além do ganho operacional, a cooperação visa unir o rigor científico da academia às soluções tecnológicas do mercado para fomentar novos conhecimentos aplicáveis aos setores regulado e voluntário e contribuir para a implementação do Sistema Brasileiro do Comércio de Emissões (SBCE)

A partir dessa aliança, a Greenline projeta expandir sua área de atuação para cerca de 4,5 milhões de hectares sob conservação e monitoramento até dezembro de 2027. Contudo, Lopez ressalta que essa escala dependerá da velocidade de formalização de novos contratos e da dinâmica de maturação do mercado de carbono no Brasil

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