Uma retrospectiva do mercado de carbono no Brasil

Por Time da B4 em

A aproximação do aniversário de 2 anos da B4, a Primeira Bolsa de Ação Cimática é um momento oportuno para refletir sobre a trajetória do mercado de carbono no país desde seu lançamento em 13 de agosto de 2023. Nesta retrospectiva, revisitamos os desafios iniciais, as conquistas e os marcos que moldaram o mercado voluntário de créditos de carbono no Brasil nos últimos dois anos – tudo sob a perspectiva da B4, cuja jornada tem impulsionado transparência, inovação e crescimento sustentável nesse setor emergente.

2023 – Nasce a B4 em um vazio de mercado de carbono transparente

Em 2023, o Brasil carecia de um mercado de carbono estruturado e confiável. Foi nesse contexto que surgiu a B4, lançada oficialmente em 13 de agosto de 2023 como a primeira bolsa de ação climática do país . A B4 nasceu com uma tese contundente“Não existe crédito de carbono no Brasil – rastreado, transparente, auditado, sério e que realmente represente um projeto real de descarbonização” . Em outras palavras, faltavam no mercado brasileiro créditos de carbono com rastreabilidade e credibilidade, capazes de assegurar que cada tonelada de CO₂ compensada correspondia de fato a reduções reais de emissões.

Na imprensa — Em agosto de 2023, o Estadão noticiou o lançamento da B4 como a primeira bolsa dedicada à negociação de créditos de carbono no Brasil, destacando transparência e rastreabilidade via blockchain; em 2024, o jornal voltou ao tema ao relatar tentativas de listagem de créditos falsos no mercado, reforçando a necessidade de governança e verificação de integridade — pilares que pautam nossa atuação.

A estreia da B4, inclusive antecipada em um ano devido à pressão do mercado por soluções climáticas (“Fomos empurrados pelo mercado a nos posicionar”, afirmou o CEO Odair Rodrigues ), representou um marco histórico – afinal, fazia mais de 60 anos que não se fundava uma nova bolsa no Brasil . Desde o primeiro dia, a B4 se propôs a preencher a lacuna de transparência com o uso de blockchain para registrar todos os créditos e transações, evitando fraudes e duplicidades . A iniciativa brasileira alinhou-se às tendências globais de sustentabilidade, em um momento em que o mercado voluntário de carbono mundial já movimentava cerca de US$ 2 bilhões em 2022 e tinha projeções de atingir US$ 50 bilhões até 2030 – sinal do enorme potencial a ser explorado.

Por outro lado, no aspecto regulatório, o país ainda patinava. Já em 2023 especialistas alertavam que o Brasil, apesar de seu imenso potencial em projetos de redução de emissões, perdia oportunidades por falta de regulamentação do mercado de carbono . Isso forçava empresas e investidores interessados em neutralizar emissões a buscarem alternativas no exterior, como a importação de créditos de carbono – uma ironia para um país com “uma mina de ouro ambiental” em termos de florestas e possibilidades de projetos sustentáveis . Esse cenário reforçou a urgência de iniciativas voluntárias como a B4, ao mesmo tempo em que impulsionou o debate legislativo: ao final de 2023, a Câmara dos Deputados finalmente aprovou o projeto de lei que cria o mercado brasileiro de carbono regulado , indicando que uma estrutura nacional de comércio de emissões está a caminho (o texto seguiu para o Senado e sanção presidencial).

2024 – Rápido crescimento, educação e rigor na seleção de projetos

O primeiro ano de operação da B4 mostrou-se além das expectativas. Em agosto de 2024, na comemoração de 1 ano da bolsa, os números falavam por si: cerca de 300 projetos já estavam no cronograma de listagem, somando 80 milhões de toneladas de créditos sustentáveis potenciais na plataforma . Esse volume expressivo de ativos em preparação superou em muito as projeções iniciais – a expectativa anunciada no lançamento era movimentar R$ 12 bilhões em créditos no primeiro ano, número amplamente ultrapassado dada a demanda aquecida . Para se ter ideia, a consultoria McKinsey estima que o mercado global de carbono chegue a US$ 50 bi até 2030, e a experiência da B4 indica que o Brasil não quer ficar de fora dessa corrida sustentável.

Do lado das empresas, houve uma forte adesão às iniciativas da B4. Mais de 1.800 empresas procuraram a bolsa entre novembro de 2023 e janeiro de 2024 para realizar o inventário de suas pegadas de carbono, passo inicial para ingressar na jornada de sustentabilidade . Esse interesse demonstra que as corporações começaram a enxergar a B4 como uma aliada estratégica na implantação de planos de descarbonização. “Algumas empresas demonstraram interesse em entender o que estão fazendo dentro do contexto ambiental, e quais impactos estão gerando”, explicou Odair Rodrigues, CEO da B4, ao destacar a crescente procura pelo cálculo de emissões e pela compensação via créditos .

Entretanto, converter esse interesse em créditos listados exigiu rigor e paciência. A B4 estabeleceu um alto Padrão de Acreditação ao aprovar projetos, a fim de garantir a integridade dos créditos de carbono. No início de 2024, dos 185 projetos submetidos por empresas para listagem, apenas 7 obtiveram aprovação nas análises iniciais, e somente 5 projetos estavam efetivamente prontos para serem listados naquela ocasião . Essa taxa de aprovação inferior a 1% deixa claro que ainda há um longo caminho de maturidade e capacitação no mercado de carbono brasileiro – muitas empresas precisam aprimorar seus projetos para atender aos padrões exigidos. Conforme a própria B4 avaliou, isso evidencia sobretudo um gap de conhecimento no setor, o que torna a educação ambiental e financeira algo é essencial.

Para preencher esse gap, a B4 investiu em educação e conscientização ao longo de 2024. Em seu primeiro ano, realizou mais de 5 eventos educacionais gratuitos e abertos ao público em São Paulo , como a série de seminários “Ação Climática em Foco”. Nesses encontros, especialistas de sustentabilidade, mercado financeiro e tecnologia blockchain discutiram desde a regulamentação do mercado até ferramentas de rastreabilidade e ReFi (finanças regenerativas) . Os eventos também serviram para apresentar as soluções da B4 e desmistificar o mercado de créditos de carbono, aproximando investidores, empresas e sociedade civil desse tema emergente.

Paralelamente, a B4 lançou iniciativas inovadoras para engajar e educar seu público. Uma delas foi o Agente do Clima, ferramenta de Inteligência Artificial criada para facilitar o cálculo de pegadas de carbono de empresas e pessoas físicas. Em até 24 horas, o Agente do Clima gera relatórios detalhados de emissões, permitindo que os usuários compreendam seu impacto climático rapidamente . Essa solução – que já está integrada ao Relógio de Ação Climática da B4 – ajuda organizações a identificar pontos de redução de emissões e também envolve cidadãos comuns na jornada da sustentabilidade.

No campo educacional, a B4 também ampliou suas parcerias e programas. Desenvolveu o Traders Academy, uma imersão voltada a ensinar investidores e interessados a utilizarem a plataforma da B4. Como ressaltou Odair Rodrigues, o objetivo dessas iniciativas é “ajudar as pessoas a aprenderem sobre o mercado de sustentabilidade” e fazer com que investidores e empresas possam “pisar em um terreno conhecido” ao ingressar nesse meio . Tudo começa com conhecimento – e a B4 quer ser um pilar formador nesse sentido, construindo uma base sólida para o crescimento do mercado de carbono no Brasil.

Um momento importante de 2024 foi o anúncio do Departamento de Projetos Especiais da B4. Em agosto, durante a semana de aniversário de 1 ano, a B4 revelou a criação dessa área dedicada a acelerar e apoiar projetos climáticos em desenvolvimento. Liderado pelo Diretor de Projetos Especiais, Maurício Cardoso, o departamento já começou com um portfólio de mais de 645 projetos apoiados em todo o país, todos rastreáveis desde o primeiro dia na blockchain da bolsa . O intuito é dar mentoria e credibilidade a iniciativas regenerativas, assegurando que, ao chegar à listagem, os projetos estejam maduros, robustos e com impacto socioambiental comprovado. Essa estratégia atende diretamente àquela tese original da B4 – só terão vez no mercado créditos realmente sérios e auditados, lastreados em projetos reais de descarbonização e benefícios socioambientais. Com o Departamento de Projetos Especiais, a B4 criou uma ponte entre os originadores e bons projetos de sustentabilidade, fomentando um pipeline de ativos sustentáveis de alta qualidade para os próximos anos.

2025 – Primeiras listagens e marcos rumo a um mercado consolidado

À medida que o mercado voluntário se estruturava, 2025 trouxeram os primeiros frutos concretos em termos de listagem de créditos de carbono na plataforma da B4. Após meses de análises rigorosas e adequações, a B4 aprovou em meados de 2025 os primeiros créditos de carbono para listagem na B4, marcando o início da abertura do livro de ofertas.

Este foi um momento histórico: tratou-se da primeira listagem de créditos de carbono na bolsa de ação climática brasileira. No total, foram 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente aprovadas para listagem na B4 . Esses créditos correspondem a toneladas de carbono que deixaram de ser emitidas ou foram removidas da atmosfera. Graças ao uso do blockchain, cada toneladas está sendo rastreado em tempo ral, dando confiança aos interessados sobre o Projeto de Crédito de Carbono listado na B4 – uma verdadeira validação do modelo que a bolsa propôs um ano antes.

Após esse pontapé inicial, a B4 entrou em 2025 focada em escalar as listagens de novos projetos. O pipeline continuou robusto: em 2024 eram 15,8 milhões de toneladas em créditos passando pelo crivo técnico para futuras listagens , provenientes de dezenas de empresas e projetos pelo Brasil. Esse número só cresceu ao longo dos meses seguintes. A bolsa planejou um ritmo arrojado de listagens: a expectativa anunciada chegar ao patamar em 2025 de listar pelo menos 1 projeto de ativo sustentável à cada 3 meses E de fato, conforme a Semana de Aniversário de 2 Anos da B4 (agosto de 2025) se aproxima, a plataforma se prepara para celebrar a listagem de 5 novos projetos sustentáveis em seu portfólio, ampliando a diversidade de ativos sustentáveis disponíveis.

Entre eles, destacam-se iniciativas inovadoras como projetos de conservação florestal na Amazônia com monitoramento Satélite, projetos de energia renovável, e até os primeiros créditos de carbonos do mercado regulado listados na B4 – Como o Projeto Camaquã, da cooperativa Coomysa, que visa a recuperação de áreas degradadas no Sul do Brasil. Ao listar um crédito regulado, a B4 mostra sua versatilidade para transacionar tanto créditos voluntários quanto aqueles do nascente mercado regulado brasileiro, unindo as pontas desse ecossistema.

É importante notar que, paralelamente à evolução da B4, o Brasil deu passos concretos na regulamentação do mercado de carbono. Em dezembro de 2023, conforme mencionado, a Câmara aprovou a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que estabelece metas de emissões setoriais e um mercado cap-and-trade para o país . Em 2024 e 2025, as discussões avançaram no Senado e na regulamentação fina da lei, incluindo debates sobre inclusão (ou não) de setores como agronegócio e transporte veicular no sistema .


aprovação presidencial da lei do mercado de carbono – ocorrida em dezembro de 2024 – abriu caminho para a implementação nos próximos anos . Isso significa que o Brasil tem um mercado regulado de carbono ativo, onde grandes emissores tem limites e níveis de enquadamento e precisam compensar sua pegada de carbono. E a experiência adquirida pela B4 no mercado voluntário é um ativo valioso: a bolsa atua ativamente como ponte entre projetos reais e empresas obrigadas a mitigar emissões, aproveitando sua estrutura de confiança e rastreabilidade já estabelecida . Em outras palavras, a B4 posicionou-se desde cedo sendo A Bolsa de Ação Climática tanto do mercado voluntário quanto o mercado regulado, fortalecendo um ecossistema integrado finanças regenerativas no Brasil.

Conclusão – Um novo patamar para o mercado de carbono brasileiro

Em dois anos, a trajetória da B4 e do mercado de carbono no Brasil foi de transformação acelerada. Saímos de um cenário em 2023 em que praticamente “não existia crédito de carbono no Brasil” com atributos de confiança, para um 2025 em que já temos créditos listados e múltiplos projetos na fila de entrada no mercado . A B4 teve um papel catalisador nesse processo: ela provou que é possível criar um ambiente seguro, transparente e rastreável para ativos sustentáveis no país.

Os números acumulados refletem um mercado em ebulição climática. São milhões de toneladas em créditos aprovados ou em análise e empresas dando os primeiros passos para entender e mitigar suas emissões. Mais importante que os números, porém, é a mudança de mentalidade em curso: hoje sustentabilidade corporativa e economia regenerativa deixaram de ser conceitos abstratos para se tornar ações concretas – onde vamos ampliando parcerias estratégicas.

próxima fase promete ser ainda mais desafiadora e empolgante. Com a regulamentação nacional finalmente encaminhada, espera-se que o Brasil conquiste a posição de destaque a que tem direito nesse mercado, ao invés de continuar “sentado sobre uma mina de ouro ambiental” sem alcançar seu potencia;l. A integração do mercado voluntário (onde a B4 brilha) com o mercado regulado trará escala e credibilidade adicionais. E a B4, por sua vez, continuará inovando – seja através de novas ferramentas tecnológicas (como a evolução do Agente do Clima e do Relógio de Ação Climática), seja ampliando parcerias estratégicas com instituições financeiras.

Ao preparar o terreno para a semana de aniversário da B4, celebramos não apenas o aniversário de uma empresa, mas o fortalecimento do novo mercado regenerativo no Brasil. Um mercado que alia objetivos ambientais e oportunidades econômicas, conectando quem reduz emissões com quem precisa compensá-las, tudo isso com integridade e transparência. Como escreveram os fundadores em 2024, a B4 inaugurou “uma nova fase para o mercado de sustentabilidade” no país – e os acontecimentos até aqui confirmam essa visão.

Que no próximo 13 de agosto possamos brindar a um mercado de carbono brasileiro cada vez mais maduro, robusto e de impacto positivo real, prontos para elevar o patamar da ambição climática nacional e comemorar muitos outros anos de conquistas em prol do planeta.

E tudo isso pode ser visto em tempo real no Relógio de Ação Climática da B4.

Disponível no site oficial: b4.capital

Diagnóstico de Inventário em 24h:  agentedoclima.com

Relógio de Ação Climática:  b4.capital/pt/relogio-de-acao-climatica

FontesB4 – Blog e Notícias; Argus Media; Câmara dos Deputados – Agência de Notícias; Universo do Seguro; Estadão


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