Relatório Executivo da COP30 em Português Brasileiro.

Por Time da B4 em

Março de 2026

SUMÁRIO

  • Prefácio
  • O Caminho para Belém
  • Principais Objetivos e Pilares da Presidência da COP30
  • O Conceito de Mutirão
  • Círculos de Liderança
  • Conselhos Consultivos e Enviados Especiais
  • Cartas do Presidente da COP30
  • Agenda de Ação: Acelerando a Ação Climática
  • Mobilização: Conectando o Regime Climático às Pessoas
  • Zona Verde
  • Cúpula Climática de Belém: Um Catalisador para Convergência
  • Resultados: COP30 Marcou um Ponto de Inflexão
  • COP30 em Números
  • Agradecimentos

PREFÁCIO

Ao refletirmos sobre a conclusão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, compartilhamos esta mensagem com um sentimento de gratidão, determinação e propósito renovado. No período que se seguiu, nossa convicção foi fortalecida de que o mundo está entrando em um capítulo decisivo para a ação climática global — um que exige unidade, criatividade e coragem. Mesmo em meio a profundas tensões geopolíticas e uma realidade climática em rápida evolução, a fase inicial de nosso trabalho demonstrou que a comunidade internacional permanece firmemente comprometida com o multilateralismo e o Acordo de Paris. O que emergiu em Belém não foi apenas vontade tangível, mas determinação legal para passar da negociação para a implementação — de ajustes incrementais para a transformação sistêmica.

Ao mesmo tempo, o início desta jornada ressaltou quão complexa se tornou a construção de consenso. Crises globais convergentes e expectativas elevadas para a ação climática moldam um ambiente no qual a tarefa diante de nós é formidável e a urgência inegável. Este momento exige humildade: nenhum setor, país ou instituição pode enfrentar a crise climática sozinho.

Este relatório reúne o trabalho coletivo, os compromissos e o espírito de colaboração que definiram a COP30. Reflete o que foi construído juntos em Belém — e, mais importante, o que todos nós devemos agora levar adiante. A conferência reafirmou que o multilateralismo é mais forte quando se torna um esforço compartilhado. A COP30 ajudou a consolidar o entendimento de que um Mutirão Global — fundamentado na ação coletiva e no propósito comum — não é apenas possível, mas urgentemente necessário. Em todos os continentes, as comunidades já vivem as realidades de secas, inundações, incêndios florestais e eventos climáticos extremos que perturbam os meios de subsistência e aprofundam as desigualdades. No entanto, esses desafios revelaram algo essencial: a ambição e a resiliência crescem quando as sociedades se unem, e quando a ação climática fortalece a dignidade, a justiça e a oportunidade.

A COP30 não poderia ter tido sucesso sem o compromisso inabalável das delegações das Partes e do Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); a liderança e clareza moral do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos 46 chefes e vice-chefes de Estado e de Governo, e dos 45 ministros de Estado que vieram à Cúpula Climática de Belém; a generosidade e vibração do povo de Belém; a dedicação da equipe da COP30 — carinhosamente conhecida como “o Polvo” por sua inteligência, flexibilidade e muitos corações; e o trabalho incansável e resiliência dos Povos Indígenas, afrodescendentes, comunidades locais, jovens, mulheres, cientistas, governos subnacionais, sociedade civil, empreendedores, inovadores e parceiros em toda a Agenda de Ação. Também reconhecemos o inestimável engajamento voluntário dos Campeões Climáticos de Alto Nível, da Campeã Climática da Juventude, dos quatro Círculos de Liderança, Enviados Especiais, conselhos consultivos e da ampla rede de instituições que se mobilizaram em torno deste processo. Juntos, eles reafirmaram que a liderança climática hoje é distribuída, diversa e determinada.

O relatório apresenta os resultados da COP30 como parte de um processo em evolução que continuará a ressoar muito além de Belém. Ele captura não apenas os resultados alcançados, mas também os caminhos colaborativos que permitiram o consenso sobre as 56 Decisões adotadas. Em um momento de tensão global, as próprias negociações precisaram incorporar o espírito do Mutirão, reconhecendo que certos componentes exigiam um esforço coletivo extra. O relatório também destaca o impulso gerado pela Agenda de Ação, que reuniu milhares de atores de diversos setores e regiões. Suas contribuições lançaram as bases para uma década de implementação, guiada por uma Visão de Cinco Anos projetada para levar a comunidade global das promessas para uma entrega coordenada e acelerada, alinhada com o Balanço Global (Global Stocktake).

Acima de tudo, este documento oferece um roteiro enraizado na esperança — não como uma expectativa passiva, mas como uma força mobilizadora fundamentada na inclusão, cooperação e participação significativa. Belém revelou o poder que emerge quando a ação climática é moldada pelos territórios e seus sistemas de conhecimento. Os resultados da COP30 não podem ser compreendidos sem a Amazônia e seus povos, cujas histórias e gestão aproximaram a governança climática global da vida cotidiana — da transição energética à proteção dos meios de subsistência, das florestas aos oceanos, da saúde aos sistemas alimentares.

Ao presidir a COP30, nossa inspiração foi a experiência da diplomacia brasileira e o legado da Rio92 — uma conferência cujo impacto provou ser transformador nas décadas seguintes, muito além de seu desfecho imediato. Assim como a Rio92, acreditamos que a COP30 ajudou a criar as condições para um ajuste estrutural duradouro em direção ao futuro que queremos. Enquanto nos preparamos para colaborar estreitamente com a futura Presidência da COP31, convidamos você a ler este relatório não apenas como um registro de conquistas, mas também como um chamado para manter o ímpeto, sustentar as responsabilidades compartilhadas e levar adiante a energia do Mutirão que Belém inspirou. As decisões alcançadas em Belém devem servir como catalisadores para economias transformadas, sociedades resilientes e ecossistemas restaurados. A jornada continua — e exigirá todos nós.

André Aranha Corrêa do Lago Presidente da COP30

Ana Toni CEO da COP30

“Em Belém, os países escolheram a unidade, a ciência e o bom senso econômico, entregando uma COP que manteve a humanidade na trajetória para limitar o aquecimento global a 1,5°C. O plano para reduzir as emissões e fortalecer a resiliência climática é agora irreversível, o Acordo de Paris está funcionando e há uma determinação compartilhada para fazê-lo ir mais longe e mais rápido. Nesse espírito, a COP30 entregou novos acordos globais importantes sobre uma transição justa, sobre triplicar o financiamento para adaptação e grandes progressos em toda a Agenda de Ação, incluindo trilhões de dólares para redes limpas e uma nova iniciativa histórica para florestas. Nesta nova era, devemos continuar nos esforçando para aproximar nosso processo da economia real, para impulsionar a implementação e entregar benefícios da vida real a bilhões de pessoas a mais — e a COP30 deu um passo importante nessa direção.”

Simon Stiell Secretário Executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)


O CAMINHO PARA BELÉM

O caminho do Brasil para sediar a COP30 reflete uma longa tradição diplomática que moldou a governança climática global por mais de três décadas. Em 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), conhecida como a “Cúpula da Terra”, nasceu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), lançando as bases para o regime climático que guia a ação global hoje. Vinte anos depois, em 2012, o Brasil sediou novamente a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) no Rio de Janeiro, um encontro marcante que consolidou o desenvolvimento sustentável como uma estrutura orientadora para a ação climática. Desde então, o Brasil tem permanecido um colaborador ativo na cooperação sob o Protocolo de Quioto, o Acordo de Paris e os mecanismos que apoiam sua implementação.

Mais recentemente, a liderança do Brasil em fóruns globais como o G20 e o BRICS reafirmou sua capacidade de construir pontes, promover o diálogo entre regiões e reunir diversos atores em torno de desafios globais compartilhados. Este engajamento renovado fortaleceu a justificativa para trazer a COP30 de volta ao país onde o multilateralismo ambiental moderno começou.

Ao entrar em 2025, a transição da COP29 para a COP30 ocorreu em um momento crucial para o regime climático multilateral. Com o Livro de Regras do Acordo de Paris plenamente operacional, incluindo novas rodadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e a Estrutura de Transparência Reforçada (ETF), a COP30 herdou não apenas uma arquitetura funcional, mas também um conjunto de mandatos não resolvidos. Entre eles estavam o Diálogo dos Emirados Árabes Unidos sobre a implementação dos resultados do primeiro Balanço Global (GST) e o Programa de Trabalho de Transição Justa (JTWP). O GST, como um legado de avaliação coletiva, permaneceu um referencial crítico orientando a implementação climática global, reafirmando que as transições justas são centrais para alavancar a ação climática em direção ao desenvolvimento sustentável e abordar as desigualdades estruturais dentro e entre os países, incluindo aquelas relacionadas a gênero, raça e etnia.

Sob a UNFCCC, mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação formam os pilares centrais e interligados da ação climática internacional. Juntos, eles moldam as negociações, guiam a implementação nacional e estruturam a prestação de apoio dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, em conformidade com a Convenção e o Acordo de Paris. Sediar a COP30 no Hemisfério Sul convidou a uma reflexão renovada sobre esses pilares através de uma lente diferente — simbolicamente capturada pelo Cruzeiro do Sul, uma constelação que guia o Sul tanto quanto a Estrela do Norte guiou por muito tempo o Hemisfério Norte.

O Cruzeiro do Sul da Ação Climática

PilarDescrição
MitigaçãoRefere-se aos esforços para reduzir ou prevenir as emissões de gases de efeito estufa, visando limitar o aquecimento global.
AdaptaçãoEnvolve ações para gerenciar os impactos das mudanças climáticas, protegendo pessoas, ecossistemas e economias.
FinanciamentoGarante que os países tenham os recursos necessários para implementar ações climáticas.
TecnologiaFoca no desenvolvimento, transferência e implantação de soluções que apoiem o desenvolvimento de baixo carbono e resiliente ao clima.
CapacitaçãoFortalece as habilidades institucionais, técnicas e humanas dos países para projetar, implementar e monitorar políticas climáticas eficazes.

A estratégia da Presidência visava não apenas convocar outra conferência, mas iniciar um “movimento de movimentos”: uma constelação global de esforços locais, multissetoriais e de múltiplas partes interessadas que, quando integrados, pudessem gerar resultados maiores do que a soma de suas partes. Esta abordagem alinhou-se com os princípios da ciência da complexidade e buscou restaurar um senso de destino compartilhado em um momento de crescente turbulência geopolítica, socioeconômica e ambiental. Com o aquecimento global em vias de ultrapassar 1,5°C e múltiplos pontos de inflexão climática em risco de desencadear interrupções auto-amplificadas, a Presidência enfatizou que a urgência do momento exigia a implementação acelerada como a nova medida da ambição.

Centrar a COP30 na Amazônia foi estratégico e simbólico. A região é uma pedra angular do sistema climático global e lar de uma biodiversidade excepcional e riqueza cultural — incluindo Povos Indígenas cujo conhecimento ancestral e gestão são vitais para a resiliência da floresta. Após anos marcados por alta incidência de incêndios e desmatamento, melhorias recentes na governança ambiental e proteção florestal sinalizaram uma mudança positiva com significado global.

Internamente, a liderança climática renovada do Brasil reflete-se na redução das taxas de desmatamento e no lançamento do Plano Clima, a estratégia climática nacional que detalha como o país pretende cumprir sua segunda NDC, submetida à UNFCCC em novembro de 2024. O plano avança um modelo de desenvolvimento que protege a biodiversidade, promove a adaptação, respeita os direitos dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais, e fortalece a liderança do Sul Global com soluções enraizadas na equidade e oportunidade.

Sediar a COP30 em Belém deixou claro que a ação climática deve ser fundamentada em contextos do mundo real. Os delegados experimentaram não apenas a importância ecológica da Amazônia, mas também as tensões entre padrões globais e realidades locais — de lacunas de infraestrutura a vulnerabilidades sociais — agora reconhecidas como centrais para uma transição justa. Trazer a COP para a Amazônia esclareceu que o desenvolvimento econômico, a proteção ambiental e a inclusão social devem avançar juntos.

“Trazer a COP para o coração da Amazônia foi um ato de transparência e humildade. A floresta não é apenas uma tarefa técnica ou uma abstração estatística; ela é uma realidade viva. Aqueles que olham para a Amazônia apenas de cima perdem o que acontece sob sua copa. O bioma mais biodiverso da Terra é o lar de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 Povos Indígenas, espalhados por nove países em desenvolvimento que ainda enfrentam imensos desafios sociais e econômicos. Estes são desafios que o Brasil está trabalhando para superar com a mesma determinação que trouxe para navegar pelas complexidades logísticas de sediar uma conferência desta escala.”

Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Federativa do Brasil (trecho traduzido do discurso de abertura da Cúpula Climática de Belém)


PRINCIPAIS OBJETIVOS E PILARES DA PRESIDÊNCIA DA COP30

Da conclusão da COP29 até a abertura da COP30, a Presidência brasileira — com o apoio do Secretariado da UNFCCC — realizou preparativos intensivos para estabelecer uma visão clara e guiar um ano de coordenação, diplomacia e trabalho técnico. Os objetivos abaixo resumem a estrutura que moldou todos os esforços durante o mandato da Presidência:

  1. Fortalecer o multilateralismo e o regime climático sob a UNFCCC: Ao promover a confiança, o diálogo e o consenso, a Presidência buscou reforçar a UNFCCC como a plataforma central para a cooperação climática global.
  2. Conectar o regime climático à vida real das pessoas: A COP30 visou aproximar a governança climática das experiências vividas pelas comunidades em todo o mundo.
  3. Mudar da negociação para a implementação: Focar na entrega de resultados práticos e na aceleração das ações já acordadas.

Os Quatro Pilares da COP30

PilarDescrição
Cúpula de LíderesEspaço para direção política de alto nível, onde líderes reafirmam compromissos e guiam prioridades coletivas.
NegociaçãoProcesso diplomático sob o direito internacional que constrói consenso entre os países e transforma metas climáticas em decisões formais.
Agenda de AçãoPlataforma que reúne atores não estatais para desenvolver compromissos voluntários e soluções práticas.
Mobilização GlobalEngajamento de diversos atores — de jovens e mulheres a Povos Indígenas e setor privado — garantindo que a agenda climática reflita a sociedade.

O CONCEITO DE MUTIRÃO

Em sua primeira carta, a Presidência brasileira da COP30 introduziu a ideia de um Mutirão Global — inspirado na tradição brasileira e indígena de trabalho coletivo, no qual as comunidades se unem para resolver desafios que ninguém pode enfrentar sozinho. Enraizado na cooperação e na responsabilidade compartilhada, o Mutirão ofereceu uma forma de trabalhar no regime climático baseada em muitos atores avançando com um propósito comum.

Mais do que uma metáfora, o Mutirão é um chamado para que países, setores e comunidades enfrentem a crise climática juntos. Afirmou uma verdade simples: nenhuma nação pode agir sozinha, mas o esforço coletivo pode fortalecer o multilateralismo e transformar a urgência em resultados.


CÍRCULOS DE LIDERANÇA

A Presidência da COP30 criou quatro Círculos de Liderança para promover o diálogo e ampliar o alcance do processo:

  1. Círculo de Presidentes da COP: Liderado por Laurent Fabius (Presidente da COP21). Focado em acelerar a implementação do Acordo de Paris e fortalecer a governança climática global.
  2. Círculo de Povos: Liderado por Sonia Guajajara (Ministra dos Povos Indígenas do Brasil). Focado em integrar as demandas de Povos Indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares.
  3. Círculo de Ministros das Finanças: Liderado por Fernando Haddad (Ministro da Fazenda do Brasil). Focado em mobilizar US$ 1,3 trilhão e reformar bancos multilaterais de desenvolvimento.
  4. Círculo do Balanço Ético Global: Liderado por António Guterres e Luiz Inácio Lula da Silva. Focado em fundamentar a ação climática na ética, diversidade cultural e ciência.

CONSELHOS CONSULTIVOS E ENVIADOS ESPECIAIS

A Presidência contou com o apoio de especialistas renomados em diversos conselhos (Ciência, Economia, Inovação Tecnológica e Adaptação) e Enviados Especiais Regionais e Setoriais. Entre os enviados internacionais destacam-se nomes como Jacinda Ardern (Oceania), Laurence Tubiana (Europa) e Patricia Espinosa (América Latina e Caribe).


MOBILIZAÇÃO E ZONA VERDE

A COP30 em Belém foi marcada por uma mobilização social sem precedentes:

  • Zona Verde: Recebeu mais de 290.000 visitantes, com 61 espaços de exposição focados em inovação social e participação democrática.
  • Cúpula dos Povos: Reuniu 25.000 participantes na UFPA, resultando em uma declaração entregue à Presidência da COP.
  • Aldeia COP: Acomodou 3.500 indígenas de 43 países, sendo a maior participação indígena na história das COPs.
  • Marcha Mundial pelo Clima: Reuniu cerca de 70.000 pessoas nas ruas de Belém.

COP30 EM NÚMEROS

Zona Azul

  • 193 países e a União Europeia representados.
  • 42.618 pessoas presentes fisicamente.
  • 56 decisões de consenso adotadas.

Agenda de Ação

  • 391 eventos da Agenda de Ação.
  • 120 Planos para Acelerar Soluções lançados.
  • 6 eixos temáticos e 30 Grupos de Ativação.

Mobilização Social

  • 5.000 participantes indígenas credenciados para a Zona Azul.
  • 189 milhões de pessoas alcançadas pela hashtag #mutirãocop30.
  • 256.000 passageiros nos ônibus da COP30 em Belém.

AGRADECIMENTOS

A Presidência da COP30 expressa sua profunda gratidão a todos os indivíduos, instituições e parceiros estratégicos que tornaram esta conferência um sucesso, incluindo o Secretariado da UNFCCC, os Campeões Climáticos, o Governo do Estado do Pará, a Prefeitura de Belém e todos os ministérios brasileiros envolvidos.

cop30.br | unfccc.int

CARTAS DO PRESIDENTE DA COP30

Emitidas ao longo do ano, as Cartas do Presidente da COP30 fornecem direção política, inspiração e um chamado ao propósito coletivo. Juntas, elas formam a espinha dorsal da visão da Presidência e seu compromisso de transformar a urgência em entrega concreta. Se você perdeu alguma delas, convidamos você a explorar a série completa abaixo e revisitar as ideias que ajudaram a moldar o caminho para Belém.

  • Primeira Carta — 10 de Março de 2025: A Presidência convoca um Mutirão Global, inspirado nos valores humanos que sustentam o regime climático. Ela avança a cooperação profunda, a ativação de alavancas sistêmicas e a entrega acelerada para responder à crise climática.
  • Segunda Carta — 8 de Maio de 2025: A Presidência convoca as Partes e os atores não estatais a reforçar o multilateralismo, conectar o regime climático à vida real e acelerar a implementação. Ela estabelece quatro pilares da COP — Cúpula de Líderes, Negociações, Agenda de Ação e Mobilização — e lança quatro círculos de liderança.
  • Terceira Carta — 23 de Maio de 2025: A carta insta os negociadores a atuarem como co-construtores de confiança e ressalta a necessidade de liderança técnica e política em Bonn, no contexto da 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da UNFCCC (SB62). Ela pede progresso tangível na Meta Global de Adaptação (GGA), no Balanço Global (GST) e no Programa de Trabalho de Transição Justa (JTWP).
  • Quarta Carta — 20 de Junho de 2025: A carta descreve a visão compartilhada da Presidência da COP30 e dos Campeões Climáticos de Alto Nível para a Agenda de Ação da COP30. Estruturada em torno de seis eixos temáticos e 30 objetivos-chave derivados do primeiro Balanço Global, ela apresenta uma abordagem para construir sobre iniciativas existentes para acelerar e escalar a implementação de promessas e ações existentes, ao mesmo tempo em que fortalece a transparência e a responsabilidade.
  • Quinta Carta — 12 de Agosto de 2025: A carta coloca as pessoas e a justiça climática no centro da agenda da COP30, afirmando o cuidado, a memória e a ancestralidade como fundamentos orientadores para a construção de um futuro mais justo e próspero. Ela enquadra Belém como um rito de passagem — um momento para honrar perdas, restaurar valores compartilhados e reconhecer aqueles que vivem as realidades da crise climática todos os dias.
  • Sexta Carta — 19 de Agosto de 2025: A carta lança as Consultas da Presidência com todos os grupos de negociação e outras Partes, garantindo um processo inclusivo, transparente e previsível.

AGENDA DE AÇÃO: ACELERANDO A AÇÃO CLIMÁTICA

A Agenda de Ação da COP30 foi um componente crucial para traduzir compromissos em resultados tangíveis, mobilizando milhares de atores de diversos setores e regiões. Abaixo, um cronograma dos principais eventos e marcos que moldaram esta agenda:

Cronograma da Agenda de Ação

DataEvento
2 de Abril de 2025Apresentação da visão preliminar da Agenda de Ação da Presidência da COP30 e consultas com a Parceria de Marrakech e sessão de escuta sobre as prioridades para a COP30.
29 de Abril de 2025Dan Ioschpe é escolhido como Campeão de Alto Nível da COP30 (CHLC).
5-8 de Maio de 2025Primeira reunião virtual da Agenda de Ação e Bloomberg anuncia parceria para acelerar o progresso climático global (Panamá).
5 de Maio de 2025Semana Ecosperity 2025 (Singapura).
19-22 de Maio de 2025A Presidência apresenta a visão para a Agenda de Ação da COP30 para acelerar a implementação do primeiro Balanço Global.
20 de Junho de 2025Diálogos com CEOs e apresentação das seis eixos e 30 Objetivos Chave da Agenda de Ação da COP30 para a 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da UNFCCC (SB62) (Bonn).
15-20 de Junho de 2025Reuniões inaugurais dos 30 Grupos de Ativação da Agenda de Ação, confirmando a mobilização de centenas de iniciativas para a implementação do GST.
25 de Junho de 2025Webinar da Presidência da COP30 em parceria com os Campeões de Alto Nível para apresentar o caminho da Agenda de Ação para Belém.
4-8 de Agosto de 2025Diálogos com o setor privado e a sociedade civil durante a Semana do Clima (São Paulo).
7 de Agosto de 2025Consultas e parceria para a Agenda de Ação durante a Semana do Clima (Londres).
29 de Agosto de 2025Atualizações sobre o trabalho dos grupos de ativação e diálogos com governos subnacionais, setor privado e países sobre a Agenda de Ação na Semana do Clima da África (Addis Abeba).
1-6 de Setembro de 2025Reuniões dos 30 Grupos de Ativação da Agenda de Ação, continuando o engajamento e coordenação para os Planos para Acelerar Soluções.
15-19 de Setembro de 2025Reuniões com CEOs e 13 mesas redondas para desenvolver Planos para Acelerar Soluções durante a Semana do Clima de Nova York (Nova York).
21-26 de Setembro de 2025Presidência da COP30, Campeões de Alto Nível e UNFCCC divulgam um relatório de síntese para o novo plano da Agenda de Ação.
22 de Setembro de 2025Lançamento do Granário de Soluções da Agenda de Ação na Semana do Clima de Nova York.
23 de Setembro de 2025Atualizações sobre resultados preliminares e diálogo com Partes e outras partes interessadas na Pré-COP (Brasília).
13-14 de Outubro de 2025Fórum de Líderes Empresariais e Financeiros da COP30 (São Paulo) e Fórum de Líderes Locais da COP30 (Rio de Janeiro).
3-5 de Novembro de 2025Publicação da Visão de Cinco Anos para Acelerar a Implementação, apresentando o plano de continuidade para a Agenda de Ação Climática Global 2026-2030.
9 de Novembro de 2025Lançamento do Anuário da Ação Climática Global 2025 e publicação de 120 Planos para Acelerar Soluções.
10 de Novembro de 2025Evento de alto nível marcado pelo apoio de Partes e atores não estatais para a Visão de Cinco Anos da Agenda de Ação para Acelerar a Implementação.
11-20 de Novembro de 2025Anúncios feitos nas Salas Temáticas da Agenda de Ação, totalizando mais de 250 eventos.
19 de Novembro de 2025Cúpula do Metano Brasil, China e Reino Unido (Belém).
21 de Novembro de 2025Publicação do Relatório de Resultados da Agenda de Ação Climática Global na COP30.

MOBILIZAÇÃO: CONECTANDO O REGIME CLIMÁTICO ÀS PESSOAS

Os esforços de mobilização da COP30 foram guiados por propósitos claros: garantir que a conferência fosse além das fronteiras institucionais para a vida diária das pessoas, e fazer da inclusão e participação social características definidoras do evento. Esses esforços reforçaram um princípio chave: as COPs são parte de um processo contínuo, não um fim em si mesmas, e a ação climática deve ocorrer todos os dias, em todos os lugares.

Nos meses preparatórios, inúmeros mutirões temáticos engajaram pessoas de todos os continentes. Comunidades limparam praias, rios e mangues no Dia Mundial da Limpeza; milhares participaram do Dia Sem Carro, promovendo transporte alternativo; campanhas de mídia social aumentaram a conscientização sobre mangues, recifes de coral e ecossistemas costeiros; e iniciativas de plantio e projetos de informação climática liderados por cidadãos fortaleceram ainda mais o engajamento local.

Estados brasileiros organizaram COPs de Biomas para discutir ecossistemas nacionais — do Cerrado e Mata Atlântica à Caatinga, Pantanal e Pampas — enquanto a sociedade civil sediou centenas de debates, workshops e atividades educacionais, engajando comunidades tradicionais, estudantes, movimentos ambientais e instituições científicas.

Complementando esses diálogos, os Balanços Éticos Globais Autogerenciados permitiram que comunidades, movimentos sociais, redes de jovens e governos locais organizassem discussões independentemente em seus territórios. Mais de 90% das reuniões relataram diversidade de gênero, raça e geração, com forte participação de jovens, mulheres negras, Povos Indígenas, comunidades afrodescendentes e coletivos locais.

A Campeã Climática da Juventude da Presidência da COP30 (PYCC) fortalece a participação de crianças e jovens no regime climático internacional, mobilizando redes e apoiando soluções que emergem de territórios locais. No Brasil, Marcele Oliveira foi selecionada para a função por meio de um edital público emitido pela Secretaria Nacional da Juventude, que recebeu centenas de inscrições. Apoiada por um Comitê Executivo e um Comitê Participativo representando ativistas de todos os biomas, a PYCC — originária de Realengo — trouxe questões de racismo ambiental em comunidades periféricas e justiça climática de uma perspectiva do Sul Global para o primeiro plano, fundamentando seu trabalho em divulgação, diálogo e representação.

Mais de 50 processos de consulta foram conduzidos em todas as regiões do Brasil por meio de Plenárias de Biomas e MiniCOPs, complementados por engajamento internacional em Semanas do Clima, MONDIACULT e a realização de dois Balanços Éticos Globais. A PYCC também lançou uma plataforma trilíngue que recebeu mais de 300 submissões, conectando constituintes jovens com a Agenda de Ação da Presidência da COP30 e alcançando mais de 800.000 pessoas com conteúdo climático viral. Este trabalho reafirmou que as COPs devem elevar a liderança de novas gerações, abraçar a diversidade e transformar a escuta em ação política — fortalecendo um sistema de governança climática que seja justo, inclusivo e intergeracional.

A PYCC mobilizou o Mutirão da Juventude, organizando mais de 30 eventos em zonas oficiais e em toda Belém durante a COP30, ampliando vozes periféricas, indígenas e inclusivas para pessoas com deficiência. Em parceria com a Secretaria Nacional da Juventude, UNFPA e o Ministério das Mulheres do Brasil, a PYCC também lançou a Cidade da Juventude, oferecendo acomodação gratuita para mais de 200 jovens participantes. Além disso, o escritório catalisou mais de 100 atividades pré-COP lideradas por jovens, focadas em soluções baseadas na natureza e na cultura, educação ambiental, reflorestamento e combate à desinformação climática.

A COP30 para Crianças e Jovens enfatizou o engajamento intergeracional. Crianças participaram de MiniCOPs e diálogos GES autogerenciados, aprendendo sobre COPs, ética climática e cooperação global. Mais de 130 MiniCOPs ocorreram em 10 países, proporcionando espaços para crianças e adolescentes expressarem livre e criativamente suas preocupações, percepções e propostas para enfrentar a crise climática. Na COP30, mais de 170 crianças foram credenciadas e participaram do diálogo intergeracional de alto nível na Zona Azul, tornando-a uma das COPs mais participativas para crianças.

Esta mobilização sem precedentes reforçou que as crianças não são apenas futuras herdeiras das decisões de hoje, mas também agentes de mudança capazes de propor caminhos concretos para um planeta mais justo e sustentável. Desenvolvidas pelo Instituto Alana com o apoio da Presidência da COP30, as MiniCOPs formaram um coletivo global de ação climática por meio de conversas, debates, workshops e atividades experienciais que empoderaram as vozes jovens em todo o mundo.

Participação Social em Destaque no Palco de Belém

A vibração de eventos paralelos e autônomos transformou a cidade de Belém em um vasto palco para a participação social. Organizada por mais de mil movimentos sociais por meio de um esforço de coordenação de dois anos abrangendo mais de 60 países, a Cúpula dos Povos reuniu 25.000 participantes no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) e mobilizou o dobro por meio de atividades em toda a cidade. Este amplo coletivo entregou uma declaração final ao Presidente da COP30, apresentando demandas, propostas e um plano para a justiça climática e social.

A Universidade Federal do Pará (UFPA) também sediou a Vila COP30, um espaço de encontro e mobilização para Povos Indígenas de todo o mundo. Organizada pelo Ministério dos Povos Indígenas e pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a vila ofereceu vida comunitária, debates, rituais espirituais, oficinas culturais e intercâmbios para mais de 3.500 participantes indígenas de vários países.

Uma ampla gama de iniciativas organizadas por governos, bancos, centros culturais, movimentos sociais, empresas e universidades promoveu o diálogo, a expressão cultural e os intercâmbios entre especialistas, líderes territoriais, jovens, empreendedores e delegações em toda a cidade. Cerca de 80 casas temáticas enriqueceram este ecossistema — incluindo a Casa do Sul Global, que amplificou perspectivas e soluções de países do Sul Global; a Casa do BNDES, que entrelaçou cultura, meio ambiente, história e mobilização; e a Casa Vozes do Oceano, que aumentou a conscientização sobre o papel crítico dos oceanos.

Um destaque da mobilização de Belém foi a Marcha Mundial pelo Clima, que reuniu cerca de 70.000 pessoas ao longo de um percurso de 4,5 km do Mercado de São Brás, no Centro Histórico, até a Aldeia Cabana. Organizada por membros da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, os participantes marcharam pela demarcação de territórios indígenas, maior investimento em uma transição energética justa, fim da dependência de combustíveis fósseis, preservação de florestas e rios, e aumento do financiamento climático.

Ao transformar Belém em uma arena viva de engajamento, a cidade deixou claro que uma participação social robusta estabelece as bases para os compromissos políticos de alto nível formalizados por meio do processo da COP.

Cronograma de Mobilização Social

DataEvento
Jun–Nov 2025Mutirão Global de MiniCOPs com Crianças e Adolescentes.
13 de Junho de 2025Lançamento do Beat the Heat – Mutirão Contra o Calor Extremo (Bonn).
24 de Junho de 2025Primeiro Diálogo do Balanço Ético Global (GES) (Londres).
26 de Julho de 2025Mutirão Global para Proteção de Mangues – Dia Internacional de Proteção de Mangues.
13–15 de Agosto de 2025Mutirão de Mudas da Mata Atlântica – Reflorestamento da Serra do Vulcão (Rio de Janeiro).
16 de Agosto de 2025Mutirão de Conhecimento organizado pela Visão Coop em parceria com a Presidência da COP30 no Sebrae.
21 de Agosto de 2025Segundo Diálogo do Balanço Ético Global (GES) da América do Sul, Central e Caribe (Bogotá).
1 de Setembro de 2025Terceiro Diálogo Regional do Balanço Ético Global (GES) (Nova Delhi).
5 de Setembro de 2025Mutirão da Juventude da COP30 mobiliza jovens em Addis Abeba durante a Cúpula do Clima da África.
6 de Setembro de 2025Diálogo da Juventude do Balanço Ético Global (GES) autogerenciado (Addis Abeba).
10 de Setembro de 2025Quarto Diálogo Regional do Balanço Ético Global (GES) (Sydney).
11 de Setembro de 2025COP do Bioma Caatinga – Mutirão do Bioma (Fortaleza).
15 de Setembro de 2025Quinto Diálogo Regional do Balanço Ético Global (GES) (Nova York).
15–19 de Setembro de 2025Sessão de Alto Nível na 80ª Assembleia Geral da ONU mobilizando o Mutirão Beat the Heat.
19 de Setembro de 2025Sexto Diálogo Regional do Balanço Ético Global (GES).
20 de Setembro de 2025COP do Bioma Pantanal – Mutirão do Bioma (Campo Grande).
22 de Setembro de 2025Mutirão do Dia Mundial Sem Carro.
30 de Setembro de 2025Mutirão de Plantio de Árvores no Parque Nacional da Tijuca (Rio de Janeiro).
7-13 de Outubro de 2025Mutirão Global de Limpeza – Dia Mundial da Limpeza.
9 de Outubro de 2025COP do Bioma Pampa – Mutirão dos Biomas (Porto Alegre).
11 de Outubro de 2025Mulheres, Clima e Mutirão para Conservação de Recifes de Coral (Diálogo Autogerenciado).
15 de Outubro de 2025COP do Bioma Cerrado – Mutirão dos Biomas (Brasília).
21 de Outubro de 2025Mutirão sobre Áreas Protegidas e a Crise Climática.
31 de Outubro de 2025Mutirão em defesa do Rio Tucunduba (Belém).
31 de Outubro de 2025Mutirão Nacional para Implementação do Código Florestal Brasileiro (Brasília).
8 de Novembro de 2025Lançamento das Cartas da COP do Bioma à Presidência da COP30 (Brasília).
11 de Novembro de 2025Inauguração da Vila COP (Aldeia COP), hospedando Povos Indígenas na COP30.
11 de Novembro de 2025Mutirão COP30 no Ver-o-Rio e Agrizone com plantio de mudas, workshops, exibições de filmes e shows.
11 de Novembro de 2025Mutirão de Gestão Sustentável de Lixo Eletrônico na COP30 (Belém).
13 de Novembro de 2025Sessão de Alto Nível sobre o Mutirão Beat the Heat Contra o Calor Extremo (Belém).
14 de Novembro de 2025Mutirão do Código Florestal (Zona Verde).
15 de Novembro de 2025Mutirão Beat the Heat – Esporte, Trabalho e Saúde (Zona Verde).
17 de Novembro de 2025Dia das Crianças e Jovens (Zona Azul).
19 de Novembro de 2025Mutirão nos Territórios: Ação Local para Soluções Globais (Zona Azul).
20 de Novembro de 2025Mutirão Global pelo Clima (Zona Azul).
21 de Novembro de 2025Mesa Redonda da Sociedade Civil sobre Mobilização e a Agenda de Ação (Zona Verde).

ZONA VERDE

A Zona Verde desempenha um papel crucial nas COPs, preenchendo a lacuna entre as negociações formais e a sociedade, tornando a agenda climática mais inclusiva, acessível e participativa. A Zona Verde na COP30 foi uma demonstração vibrante de como a ação climática pode promover o engajamento democrático, a diversidade de vozes e a transparência.

Organizada pelo governo federal brasileiro, a Zona Verde funcionou como um verdadeiro ecossistema de inovação social. Sociedade civil, jovens, comunidades indígenas e tradicionais, universidades, empresas, movimentos sociais e governos locais participaram ativamente de debates, workshops, apresentações culturais e centros temáticos, cobrindo tópicos como justiça climática, transição justa, direitos humanos, proteção florestal, bioeconomia e soluções baseadas na natureza.

A Zona Verde também se destacou por seu design físico e experiencial. Três grandes tendas de exposição abrigaram 61 estandes, complementados por espaços de inovação, áreas culturais e mercados de artesanato. O edifício da Economia Criativa expandiu essa visão com uma praça de alimentação, áreas sociais e o Pavilhão do Pará, celebrando a identidade cultural da Amazônia. O Parque da Cidade circundante, revitalizado para a COP30, proporcionou um legado duradouro para Belém, permitindo reuniões comunitárias, programação cultural e até mesmo eventos de grande escala, como uma celebração para skatistas.

O local recebeu mais de 290.000 visitantes ao longo da Conferência. Ao tornar a sociedade protagonista, a Zona Verde reafirmou que a ação climática avança quando emerge do encontro entre pessoas, territórios e perspectivas — um princípio que guiou a COP30 do início ao fim.

Objetivos Chave da Zona Verde

  • Expandir o diálogo e a conscientização pública: Um espaço de acesso livre para a população local, oferecendo programação educacional, cultural e interativa envolvendo escolas, jovens e famílias.
  • Aprimorar soluções climáticas tangíveis: Uma plataforma para atores não estatais apresentarem inovações, melhores práticas e experiências em mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
  • Fomentar redes e alianças: Um ambiente propício para networking intersetorial, incentivando parcerias estratégicas e cooperação para acelerar a implementação de compromissos climáticos.

CÚPULA CLIMÁTICA DE BELÉM: UM CATALISADOR PARA CONVERGÊNCIA

De 6 a 7 de novembro de 2025, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a Cúpula Climática de Belém, um evento de alto nível que reuniu chefes de Estado e de Governo, ministros e líderes de diversas esferas para discutir e impulsionar a ação climática global. A Cúpula serviu como um catalisador para a convergência de ideias e a construção de consensos, reforçando o papel da COP30 como um ponto de virada na governança climática internacional.

Durante a Cúpula, foram abordados temas cruciais como a transição energética justa, o financiamento climático, a proteção da Amazônia e o papel dos povos indígenas e comunidades locais na conservação ambiental. A presença de líderes globais em Belém sublinhou a urgência e a importância de uma abordagem coletiva para enfrentar os desafios climáticos, promovendo um diálogo construtivo e a busca por soluções inovadoras e equitativas.

A Cúpula Climática de Belém destacou a necessidade de integrar as perspectivas do Sul Global nas discussões e decisões sobre o clima, reconhecendo a vulnerabilidade dessas regiões aos impactos das mudanças climáticas e a riqueza de seus conhecimentos tradicionais e soluções baseadas na natureza. O evento reforçou o compromisso do Brasil com o multilateralismo e a cooperação internacional, consolidando a posição do país como um ator chave na agenda climática global.


RESULTADOS: A COP30 MARCOU UM PONTO DE INFLEXÃO

A COP30 em Belém foi um marco decisivo na jornada global contra as mudanças climáticas, caracterizada por um avanço significativo da negociação para a implementação. Os resultados da conferência refletem um compromisso renovado com o multilateralismo e a ação climática, com foco na equidade, inclusão e soluções baseadas na natureza. As 56 decisões adotadas em Belém representam um esforço coletivo para acelerar a transição para economias de baixo carbono e sociedades resilientes.

Entre os principais resultados, destacam-se:

  • Fortalecimento do Acordo de Paris: A conferência reafirmou a importância do Acordo de Paris como o principal quadro para a ação climática global, com um foco renovado na implementação de suas metas e mecanismos.
  • Avanços no Financiamento Climático: Houve progressos significativos na mobilização de recursos financeiros para a adaptação e mitigação, com um compromisso de triplicar o financiamento para adaptação e explorar novas fontes de capital para a transição energética.
  • Reconhecimento do Papel da Amazônia: A localização da COP30 em Belém destacou a importância crítica da Amazônia e de seus povos na luta contra as mudanças climáticas, integrando o conhecimento ancestral e as soluções baseadas na natureza nas estratégias globais.
  • Engajamento Multissetorial: A Agenda de Ação da COP30 mobilizou milhares de atores não estatais, incluindo empresas, sociedade civil, jovens e comunidades indígenas, para desenvolver e implementar soluções climáticas em diversas escalas.
  • Justiça Climática e Transição Justa: A conferência enfatizou a necessidade de garantir que a ação climática seja justa e equitativa, abordando as desigualdades sociais e econômicas e protegendo os direitos dos povos mais vulneráveis.

Os resultados da COP30 não são apenas um registro de conquistas, mas um chamado à ação contínua. Eles fornecem um roteiro para a próxima década de implementação, guiado por uma Visão de Cinco Anos que visa transformar promessas em entregas coordenadas e aceleradas, alinhadas com o Balanço Global. A energia do Mutirão inspirada em Belém deve ser levada adiante para construir um futuro mais sustentável e justo para todos.


CONSELHOS CONSULTIVOS E ENVIADOS ESPECIAIS

Os Conselhos Consultivos da COP30 são órgãos informais e consultivos criados para assessorar a Presidência da COP30 em questões estratégicas e substantivas importantes, de forma voluntária e pessoal. Reunindo especialistas líderes, economistas, pesquisadores, líderes sociais e representantes do setor privado, os conselhos garantiram a diversidade de perspectivas e a profundidade técnica ao longo do processo.

  • Conselho de Ciência: Liderado por Thelma Krug, o Conselho incluiu renomados especialistas em clima de diferentes regiões e com diversas formações: Carlos Nobre, Christopher Field, Dipak Dasgupta, Harald Winkler, Ima Vieira, Johan Rockström, Marina Hirota, Moacyr de Araújo Filho, Panmao Zhai, Paulo Artaxo e Tatiana Sá. Juntamente com o Conselho de Inovação Tecnológica e Inteligência Artificial, contribuiu para iniciativas como o Green Digital Action Hub e o AI Climate Institute, fortalecendo o uso da ciência e da tecnologia para mitigação, adaptação e monitoramento climático.
  • Conselho de Economia, Finanças e Clima: Liderado por José Alexandre Scheinkman, este conselho reuniu figuras proeminentes na formulação de políticas econômicas globais, incluindo Abhijit Banerjee, Alissa Kleinnijenhuis, Amar Bhattacharya, Avinash Persaud, Beatrice Weder di Mauro, Catherine Wolfram, Esther Duflo, Harrison Hong, Jiangmin Xu, Joseph Stiglitz, Juliano Assunção, Lars Peter Hansen, Lucy Page, Luiz Awazu Pereira, Mariana Mazzucato, Maryam Farboodi, Michael Greenstone, Moritz Kraemer, Nicholas Stern, Patrick Bolton, Robin Burgess, Rohini Pande, Ulla Heher, Vera Songwe e Winston Fritsch. Seus insights estratégicos desempenharam um papel importante na formação do debate global sobre financiamento climático na COP30, incluindo contribuições para o Roteiro de Baku a Belém para 1.3T e a Agenda de Ação.
  • Conselho de Inovação Tecnológica e Inteligência Artificial: Presidido por Ronaldo Lemos e composto por especialistas líderes, incluindo Celina Mendes de Almeida Bottino, Christer Gundersen, David Eaves, Fabro Steibel, Filippa Braarud, Rahul Matthan e Tale Jordbakke, este conselho apresentou uma proposta inovadora para uma Infraestrutura Pública Digital Global para o Clima.
  • Conselho de Adaptação: Este conselho reuniu especialistas para aconselhar sobre um dos pilares centrais da COP30 — a adaptação, uma prioridade crescente dentro da UNFCCC e uma questão crítica para países que enfrentam vulnerabilidade. Os membros incluíram Andreia Coutinho, Avinash Persaud, Ellen Johnson Sirleaf, Helen Clark, José Marengo, Jussara de Lima Carvalho, Natalie Unterstell, Sara Ahmed, Vanessa Grazziotin e Virgilio Viana. Entre suas contribuições estava o desenvolvimento do Relatório de Adaptação Climática da Floresta Amazônica.

Enviados Especiais da COP30

Os Enviados Especiais da COP30 são líderes de reconhecida relevância em suas áreas, convidados pela Presidência brasileira para contribuir — de forma voluntária e pessoal — para o sucesso da Conferência. Sua participação ampliou o alcance temático e geopolítico da COP30, atuando como canais qualificados de diálogo entre seus respectivos setores, regiões e a Presidência da COP30.

A iniciativa reuniu sete Enviados Regionais, fortalecendo a compreensão das expectativas e prioridades em todas as regiões globais:

  • Adnan Amin — Oriente Médio
  • Arunabha Ghosh — Sul da Ásia
  • Carlos Lopes — África
  • Jacinda Ardern — Oceania
  • Jonathan Pershing — América do Norte
  • Laurence Tubiana — Europa
  • Patricia Espinosa — América Latina e Caribe

Eles foram acompanhados por um grupo de 22 Enviados Setoriais, todos do Brasil, distribuídos pelas seguintes áreas:

  • André Guimarães — Sociedade Civil
  • Beto Veríssimo — Florestas
  • Clemente Ganz — Sindicatos
  • Denise Dora — Direitos Humanos e Transição Justa
  • Denis Minev — Setor Privado Amazônico
  • Elbia Gannoum — Energia
  • Ethel Maciel — Saúde
  • Frederico Assis — Integridade da Informação
  • Janja Lula da Silva — Mulheres
  • Joaquim Belo — Sociedade Civil Amazônica
  • Jurema Werneck — Igualdade Racial e Comunidades Urbanas Marginalizadas
  • Maguy Etlin — Cultura e Indústrias Criativas
  • Marcelo Behar — Bioeconomia
  • Marcello Brito — Governos Subnacionais da Amazônia
  • Marina Grossi — Setor Empresarial
  • Marinez Scherer — Oceanos
  • Maya Gabeira — Esportes
  • Paulo Petersen — Agricultura Familiar
  • Philip Yang — Soluções Urbanas
  • Roberto Rodrigues — Agricultura
  • Sérgio Xavier — Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas
  • Sinéia do Vale — Povos Indígenas

Informações biográficas para todos os Enviados Especiais estão disponíveis no site oficial da COP30.


Relatório em Inglês disponibilizado oficialmente pela Cop30: https://cop30.br/pt-br/cop30_executive_report/@@download/file


0 comentários

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *